quinta-feira, 9 de abril de 2020
A máquina do tempo parou
A máquina do tempo parou...
Uma parte de mim ficou adormecida bem longe, esquecida nos tempos e na memória.
Menina que fui, agora quer ser resgatada do ventre onde fui esquecida, num turbilhão de horas frenéticas da vida imparável.
A máquina do tempo parou!
Tenho que acordar a menina que fui! É urgente! Onde ficou a inocência, a pureza e alegria;os sonhos esquecidos?
Resgatem-se os minutos, as horas, perdidas do tempo que não era meu!
Desenterrem-se os fantasmas que voam no escuro! Regresse-se à Luz! Libertem-se os sonhos!
Ainda há tempo!...se o tempo voltar!...
Ainda há tempo para os abraços, para me abraçar, para nos abraçarmos....
Quando a máquina do tempo voltar a girar...
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Lá fora
Lá fora está frio...
O caos em cada esquina, nesta Pimavera tímida, ora fria, ora chuvosa ou solarenga.
Há um circo deambulante, que parou, no meio da cidade...
Já não se ouve a música, os palhaços e o vislumbre dos risos das crianças...agora, está ali parado, à nossa frente, lembrando que todo este espetáculo da vida de repente estacou no tempo!
Talvez passeie por ali um palhaço triste ou uma criança com fome, à espera dos dias alegres de outrora, quando viajavam de terra em terra para alegrar as crianças...
Na rua,passa um sem-abrigo que vasculha à pressa o contentor do lixo e transporta todos os sacos que lá encontra.
Num qualquer apartamento, num andar escuro e feio, vive uma velhota, solitária...sente medo...não percebe o que está a contecer, já viveu tanto tempo! Tem como único aconchego um gatinho, companheiro de anos vida. Dorme quase sempre para sonhar que esta realidade é um pesadelo.
Bem perto, uma luzinha trémula brilha...tem lá dentro uma criança, que não sabe porque todos os seus amigos têm os pais em casa e ela não. Tem que esperar que seja noite para os ver chegar, desfeitos de cansaço, depois de mais uma longa batalha contra um inimigo desconhecido, naquele hospital irrespirável, por debaixo das máscaras.
Os avós choram com saudades dos netos. Os pais choram com saudades dos filhos. Os abraços tardam. As familias anseiam por estar juntas de novo e celebrar uma Resurreição que se vislumbra ainda longe.
O medo, esse, esconde-se por baixo da pele, tenta arrebatar os mais fracos...
Entretanto, numa cama de hospital, alguém sucumbe, o ar rouba-lhe a vida lentamente...sabe, que morrerá sozinho e que ninguém o acompanhará à ultima morada...uma lágrima, corre pelo seu rosto!
Cá dentro, aninhada ao teu ombro, sinto a comodidade da ilusória segurança...adormeço e sonho com um Mundo Novo!
quarta-feira, 1 de abril de 2020
Não pode ser
Não pode ser!
Não posso continuar nesta hibernação, nesta armadilha, na qual, inesperadamente, fiquei presa.
Que bolha é esta onde me encontro agora? Será ilusão, será sonho?
Mundos, dentro de um mundo maior a que pertencemos...sinto-me entorpecida, quase anestesiada...
Neste ar irrespirável, movo-me, à procura de quem sou, encarcerada sobre mim mesma.
Nesta repetição de dias iguais, resta a esperança da transformação do que não pode mais existir.
Não mais ódio, não mais desunião, separação, não mais indiferença perante a Natureza!
Não pode ser!
Não posso continuar nesta hibernação, nesta armadilha, na qual, inesperadamente, fiquei presa.
Que bolha é esta onde me encontro agora? Será ilusão, será sonho?
Mundos, dentro de um mundo maior a que pertencemos...sinto-me entorpecida, quase anestesiada...
Neste ar irrespirável, movo-me, à procura de quem sou, encarcerada sobre mim mesma.
Nesta repetição de dias iguais, resta a esperança da transformação do que não pode mais existir.
Não mais ódio, não mais desunião, separação, não mais indiferença perante a Natureza!
Não pode ser!
segunda-feira, 23 de março de 2020
ARCO IRIS DE ESPERANÇA
E um arco-iris apareceu no horizonte e trazia a mensagem, escrita nas suas cores "vamos ficar bem, vai passar!" .
A Primavera, atónita, indiferente a tudo, floria, o sol começava a aquecer o solo, as flores surgiam, esplendorosas, as primeiras andorinhas , e os passarinhos entoavam seus cantos no ar.
Dentro de suas casas, as pessoas ansiavam pelos dias de sol, pelos abraços dos amigos, pelas conversas ao ar livre e os passeios de mãos-dadas...
Percebiam agora que esses prazeres simples da vida eram tudo o que importava na vida!
Os corpos estavam distantes, mas os corações uniam-se, os laços fortificavam-se e todos, de todas as raças, de todas as religiões, de todos os credos, de todas as classes, ricos e pobres, aprendiam que não havia diferença e, que todos, sem distinção, navegavam no mesmo barco, na mesma Arca de Noé, para se salvarem...E a nova consciência acordava!
A Terra, essa mãe, ferida e tão entristecida pelos maus tratos , renascia agora mais pura, mais forte, mais disponível para acolher os seus filhos...
Em breve, surgiria o Verão para aquecer a todos...o Sol iria brilhar como nunca, as crianças sairiam à rua, e, de mãos dadas, fariam uma grande roda para festejar esta nova era...
A era em que já não existiriam diferenças, em que todos uniriam as mãos para curar o planeta e a nossa mãe-Terra...A era em que o abraço fraterno seria o único cumprimento entre todos. A era em que o dinheiro não seria mais o motor da sociedade, em que em que o espirito do Amor seria o rei...
E um novo Verão surgia, em todo o seu esplendor, depois de uma Primavera triste, mas a florir!...
quinta-feira, 19 de março de 2020
Querido pai
Pai
(Talvez não vas ler esta mensagem, ou então não a compreenderás...)
Pai, hoje é o teu dia...mas, depois de tantos dias do pai que passei contigo, este é um dia diferente...
Hoje queria abraçar-te, agarrar-te a mão, proteger-te, tal como fazias quando era criança...mas tu foges, como uma criança rebelde...e eu sinto-me tão impotente perante a tua rebeldia inconsequente!
Hoje já não és o ser mais forte e protetor da minha vida...hoje és a criança mais frágil e vulnerável que tenho...
Tu ainda queres ser criança, queres viver muito, indiferente aos perigos que estão lá fora...no teu mundo já não há perigos porque já os vistes todos! Não percebes ,querido pai, que, se te falo com autoridade, como tu me falavas quando era pequena,é porque não te quero perder..porque te quero muitos anos mais na minha vida, querido pai!
(Talvez não vas ler esta mensagem, ou então não a compreenderás...)
Pai, hoje é o teu dia...mas, depois de tantos dias do pai que passei contigo, este é um dia diferente...
Hoje queria abraçar-te, agarrar-te a mão, proteger-te, tal como fazias quando era criança...mas tu foges, como uma criança rebelde...e eu sinto-me tão impotente perante a tua rebeldia inconsequente!
Hoje já não és o ser mais forte e protetor da minha vida...hoje és a criança mais frágil e vulnerável que tenho...
Tu ainda queres ser criança, queres viver muito, indiferente aos perigos que estão lá fora...no teu mundo já não há perigos porque já os vistes todos! Não percebes ,querido pai, que, se te falo com autoridade, como tu me falavas quando era pequena,é porque não te quero perder..porque te quero muitos anos mais na minha vida, querido pai!
domingo, 15 de março de 2020
Grito de esperança
E do Sol raiou um grito de esperança!
E toda a terra se uniu... e todos deram as mãos e se abraçaram!
Não mais existia divisão, não mais existia guerra, desrespeito e desamor!...
Não mais seriamos escravos de coisa alguma, do dinheiro, da doença, da guerra...nada mais nos limitaria a partir de agora!...
Uma Nova Terra renascia das trevas, brilhando na enorme Luz, onde todos se amavam, iguais, irmãos neste planeta...senhores de um Universo infinito!
As conciências não se fechariam nunca mais! Os medos e as dores dissipar-se-iam para sempre!
Mais fortes, nada nos impediria de subir a outra dimensão!
Qual Fénix renascida das cinzas, a mãe Terra rejubilava de alegria!
E todos, unidos, deram as mãos e se abraçaram de uma ponta a outra do Mundo!
quinta-feira, 12 de março de 2020
Parem! É urgente...
Parem!
É urgente parar!
É ugente recolher!
É ugente silenciar!
É urgente reencontrar-se!
É urgente ouvir o coração!
Juntar a terra aos céus...
E pacificar...
É urgente olhar para os outros como a nós mesmos...tocar os corações e dar as mãos, limpas da sujidade que a sociedade nos colocou!
É urgente respirar!...
É urgente a mudança!...já se faz tarde!
É ugente o equilibrio e o reencontro com a essência em cada um de nós!
Parem! Ouçam-se!
O que está podre, fora de tempo, será purgado...e uma nova Vida surgirá dos escombros!
É urgente acordar e abrir as consciências adormecidas!...
Silenciar...escutar...atentar...acordar...serenar...pois das cinzas renascerá o Amor e a União entre todos!
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