domingo, 18 de fevereiro de 2018
Que fazer?
Que fazer quando as feridas da alma se colam à pele?
Que fazer quando o chão nos falta debaixo dos pés e as paredes deixam de ser muros seguros?
Que fazer quando as estradas deixam de ser rumos e as encruzilhadas nos confundem na escuridão?
Que fazer quando tudo fica enevoado e o nosso olhar já nada vislumbra?
Que fazer com a solidão que nos perspassa o coração em noites de lua cheia?
Que fazer quando se deixa de acreditar?
Resta ficar sentado, em silêncio, escutar o coração que ainda vibra de vida...
Agarrar todos os pedacinhos de nós e reconstruir novamente...
Aos poucos, docemente, com coragem, com Amor, aguardar o Renascer da Fénix!
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Encostei-me ao sonho
Encostei-me ao sonho e, como um castelo de areia, este desmoronou-se a meus pés...
Tentei reconstruí-lo...
Precisava de umas mãos de criança, de um coração inocente...
Escavei ao mais fundo de mim e encontrei-a...
Convidei-a a brincar comigo, a juntar os bocadinhos de sonho perdidos ao vento dos tempos...
Com pás e baldes, reconstruímos um castelo enorme com bocadinhos de fantasia, pedaços de sonhos, esperanças coloridas, pintado com tintas de fé...
Desta vez a base era sólida, bem assente em terra firme e só as suas torres tocavam o Céu, como que pedindo que nunca as estrelas se apagassem no firmamento...
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Vestir a alma
Despi a pele, vesti a alma, fiz um banho de lágrimas e no infinito azul mergulhei...
Encontrei-me num recanto de mim própria, pequenina, trémula de medo...
À minha frente passaram, como num filme, tantos sonhos não realizados, tantas promessas por cumprir, tantos pedaços de mim...Incrédula, perante o mundo, encostei-me a um canto da Terra...
Agarrei na palma da mão o último sonho que restou...
uma réstea de mim ainda brilhava no escuro visitado por uma pequena luz de Sol ...
Tentei agarrar essa pequenina luz...estava ali, pertinho do coração, querendo ainda aquecê-lo perante o gelo que se tinha formado ao redor...
Haveria ainda esperança?
Voltei a despir a pele e a vestir a alma...
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Mulher-Flor
Mulher-flor
Flor-amor
vermelho-carmim
coração-escarlate
sou mulher flor
com amor, vermelho carmim, coração escarlate
perdi um dia a minha flor de jardim rubra de sangue,
flor com dor, sou mulher e com ardor carrego a minha dor...
Rosa vermelha cheirosa com espinhos...
Perdi um dia a minha flor...
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
A inspiração demora
Naquela noite chuvosa de Inverno, pegou na caneta, uma folha em branco na secretária...
a inspiração tinha adormecido! Procurou-a...em vão...
talvez se tenha escondido debaixo do sofá onde outrora houvera troca de palavras de amor ditas ao ouvido dos apaixonados...
talvez tenha desistido e tenha antes ido refrescar-se nas gotas de água frias que caiem lá fora...
Talvez estas a inspirem...
Talvez tenha morrido, sonâmbula, nos tantos sonhos que tivera e se desfizeram...
Talvez...talvez se tente encontrar dentro de si mesma...
Talvez a dor, talvez a saudade, talvez o amor, o desamor, talvez as mágoas sejam apenas inspirações fugazes, adormecidas em noites de chuvas e lágrimas caídas numa alma dormente...
Inspiração onde te escondeste?
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Os meus anjos
Hoje está frio, os meus anjos não voam lá para fora...
Ficam cá dentro, no quentinho, encostando suas asas nos meus braços...
Falando baixinho,de mansinho ao meu ouvido...
Ouço o som das suas vozes pousando devagarinho como penas brancas nos meus ouvidos...
São sons parecidos à voz do mar, ao cantar dos pássaros, ao sussurrar das folhas nas árvores...
Encosto-me ao macio dessas níveas asas...sinto lá fora o frio, o quente que me envolve cá dentro...
Adormeço com o sorriso branco dos anjos...
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Quando as águas das chuvas pararem
Quando as águas da chuva pararem, minhas lágrimas secarão nos meus olhos também...
Terão lavado minha alma, terão levado nas enxurradas as saudades tuas...
Terão despido meu ser...
Então, só então, surgirão os primeiros raios de sol, os primeiros botões de rosa...
e o teu sorriso, meu amor...
Quando as águas das chuvas levarem nossas lágrimas...
Todos os caminhos ficarão abertos para te reencontrar...
o teu sorriso azul, meu amor...
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