domingo, 18 de janeiro de 2015

Adormecendo no colo dos anjos



Todas as noites adormecia no colo dos Anjos...
Deixava-se levar num beijo etéreo, na caricia dumas mãos que a levavam no sono profundo...
por uma viagem de miríades de sonhos...
Encontrava nas suas mãos a suavidade e ternura que procurava nos dias...
As respostas eram dadas...às vezes ficavam esquecidas, outras vezes nas memórias...
Sentia-se bem naquele colo quente que a aconchegava...
De manhã acordava, saia daquele colinho materno ...os anjos iriam talvez dar seu colo a outras almas perdidas e sós!...
Esperava o beijo desses Anjos , a ternura do seu olhar...e o dia tornava-se mais leve na ânsia de de novo reencontrar seu abrigo, seu porto seguro que sabia existir...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Tu...tu que não vês com olhos de menino



Tu..sim tu...abre os teus olhos de menino e vê!
Vê com os olhos da inocência...
Vê com os olhos do coração!...


Naquele dia...
Não me viste...Eu vi-te...mas a memória apagou-se...
Não me viste com os olhos da alma...
Deixaste que a mágoa da vida cegasse teus olhos, outrora de menino puro que não teve infância...
E deixaste apagar as recordações do que fomos noutras vidas (lembraste?), do que somos...

Abre os teus olhos fechados pela dureza da vida!...
Brinca e salta de felicidade perante a pureza que jaz dentro de ti, adormecida...

Deixa que os olhos da alma brotem como botões de flores perfumadas numa manhã de Primavera!..

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Eterna ilusão


Eterna ilusão de viver...
No volver torpe dos dias iguais...
Borboletas alvoraçando no âmago de mim...
Busca constante duma voz quente, dum colo que apazigua....
Eterno sobressalto de um cataclismo interior no constante bulício de emoções...
Caminho para o lugar nenhum e, no entanto, o lugar de todos os lugares!...
percorro um infinito de sentimentos, na eterna busca de um colo ausente...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Vagueio



Vagueio...
e como uma gaivota sem rumo
toco as asas na brancura das nuvens...
faço ecos numa busca sem nome...
tateio  o firmamento...
vislumbro a eternidade
e escondo-me nos dias iguais...
Reconheço-me num nome que não sei...
percorro as areias do deserto sem fim...
e encontro-me nas asas de um anjo que passa...



sábado, 3 de janeiro de 2015

Existindo na não existência comum



Tinha rompido o ventre materno...era um homem de cerca de 90 anos, mas ainda com toda a força de vida própria de um recém-nascido...
Sentiu estremecer todo o corpo quando colocou os seus pés na Terra...sabia porque ali estava...chorou...mas não porque sentisse a dor do parto ou a separação...
Sabia que o que o trazia ali era mais importante que todas as causas e tudo se encaixava plenamente no seu cérebro já construído...
Tinha a força e jovialidade da infância...

Passaram anos...
e o seu corpo recuperava a forma de adulto, jovem e criança...
Contudo, ia perdendo as memórias de outrora...
agora, criança de corpo e mente, despojado de tudo, das razões porque ali se encontrava, das ilusões e formatações ...sentia-se aquele que tudo sabe mas na pureza e inocência infantis...e brincava com a vida, como uma criança brinca com uma bola, um brinquedo...
A luz da pureza iluminara-lhe os olhos...
Sentiu-se, de repente, desfalecer...
Já não pertencia àquele mundo...
Regressava ao ventre materno...
E, num orgasmo, eis que estava no seu Mundo, o Mundo que tanto esperara!...

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

E daquela menina triste...



E daquela menina triste...
apenas restaram as longínquas memórias dos contos de fadas, príncipes e princesas contadas no regaço de sua mãe...
Restou a esperança feita de sonhos,deitadas ao vento como bolas de sabão ou construídos em castelos de areia bem junto ao mar...
Restaram as recordações de sons e cheiros oriundos de uma terra escaldante e distante...
Restaram os risos, as brincadeiras como sonhos que se evaporam em noites enquanto correm lágrimas de solidão...
...Mas daquela menina triste resta ainda o mesmo olhar terno de saudade, de quem já viu o mundo à volta sem contudo, o ter conseguido desvendar...restam ainda arco-íris de infância misturados com a força que rompeu naquele dia em que deu à luz um outro sonho de criança...


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sopro de vida




No leito da morte jaz...
quase dormente, a alma lhe pede para o corpo ainda não ceder ...
O sopro da vida o acalma e alenta...
e eis, que a Luz feita de caricias divinas o acalentam nessa luta desigual, quase sem tréguas...

O fôlego de Vida, por entre dores e lágrimas, rompe em toques de Amor...
Novo respirar, por entre fogos ardentes...
E de novo renasce o Homem que foi e será nas cordas deste Universo de que faz parte, composto neste Todo indivisível!